Poema nº 277 - Réquiem para o Nacional

Poema nº 277 - Réquiem para o Nacional

Este canal do YouTube é dedicado exclusivamente ao áudio do texto abaixo. Ouça o texto na voz de Luiz Sampaio.

A NOVA DA NOITE

                       02.09.2018

Réquiem para o Nacional

noite eterna
manhã sem amanhã
hoje é dia de cinzas
cinzas
      mortas
             menos que cinzas
sem chance de renascer

muito além do Museu
muito além da memória
     queimaram o futuro
            o presente
                       a história
queimaram o nacional
nossa esperança de ser

queimaram os colchões do berço esplêndido

as chamas acesas do descaso
condenam ao sono eterno
o nosso já tão descrente país do futuro

os raios do mal cruzaram tempo e espaço
torraram até o extraterrestre
além do internacional
     rochas dos astros
           vidas antigas em pedras eternizadas
     animais
            plantas ao sempre guardadas
     culturas
           vidas passadas
                   futuras
tudo rodou no roldão nacional
múmias vieram morrer no Nacional

o eterno condenado ao ocaso
não por acidente do acaso
mas pelo desmando fatal

calam-se as palavras estarrecidas
diante do presente destruído
do passado carbonizado
do futuro no escuro
do carro desgovernado

não há labaredas de palavras
capazes de extinguir
    o sangue
             fervente
                    vermelho
das labaredas do crime organizado
que incendiou nosso país

Quem pôs fogo no Brasil?
Nós e ninguém.
Quem destruiu o Brasil?
Nós e ninguém.

Nós elegemos o ninguém
     os caras
             que escondem as caras
                    no instante em que o fogo vem

logo agora
     na hora da reeleição
             na gula de votos
                     na ânsia
nossos ninguéns
precisam livrar-se das cinzas
precisam mostrar suas caras limpas
     rementir
             fazer preleção
postar-se ao largo dos desenganos
prometer plantios na terra queimada
     tratar-nos como gentios
             com sua assassina arrogância
que surrupia de nós o voto
e por mais quatro prósperos anos
nos relega a menos que nada

Este é um triste réquiem
para a esperança do meu país
para o que eles fizeram
nós fizemos
eu fiz.

Luiz Sampaio


Foto: fonte_CQCS

11 comentários
    1. Oi Renata!
      Muito obrigado!
      Fiquei feliz por saber que você gostou.
      Vai ter bastante novidade daqui em diante.
      Espero que você continue gostando…
      Beijo!
      Luiz

  1. Parabéns por expressar em palavras meus sentimentos com esse terrivel “acidente”

    1. Oi Ciça!
      Que bom saber que você leu e gostou!
      Fiquei realizado pelo seu “expressar em palavras meus sentimentos”!
      Como poeta, é exatamente isto o que eu sonho fazer…
      Super beijo!
      Luiz

    1. Minha Querida!
      Que bom te encontrar aqui!
      Quero você sempre ao meu lado “no sofá aqui de casa” como escrevi na minha DEDICATÓRIA.
      Beijo!
      Luiz

  2. Nos versos do poeta até a mais triste realidade toma a forma de sonho. Parabéns Luiz! O ganho é do leitor.

    1. Oi Mariza!
      Muito obrigado por suas palavras!
      Além de me fazer feliz, o ganho maior é da poesia pois sem o leitor ela simplesmente não existe.
      Peço para você se inscrever em “A Poesia de Cada Dia” assim poderei enviar um poema por semana para você.
      Um abraço e boa sorte!
      Luiz

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